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Angolana Endiama quer estar nas maiores produtoras mundiais de diamante

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O presidente do Conselho de Administração da diamantífera angolana Endiama, Manuel Ganga Júnior, durante a apresentação de resultados da empresa, em Luanda, Angola, 15 de janeiro de 2019. As receitas brutas ascenderam a 1.255,4 milhões de dólares (1.092 milhões se euros) e o total de impostos pagos ascendeu a 252,16 milhões de dólares (219 milhões de euros). AMPE ROGÉRIO/LUSA

O presidente do Conselho de Administração da diamantífera angolana Endiama afirmou hoje que pretende que, em 2022, a empresa fique entre as maiores produtoras mundiais de diamantes, uma vez que Angola “tem um grande potencial de reservas”.

Em declarações à agência Lusa, no final da apresentação de um breve resumo das atividades da Endiama em 2018 e das metas a alcançar para 2019, José Manuel Ganga Júnior sublinhou que Angola é atualmente o quinto produtor/exportador e que pretende quase duplicar a produção para 14 milhões de quilates até 2022.

“Em 2018 estivemos essencialmente a estabelecer linhas de orientação para a nossa atividade. Realizamos o diagnóstico da empresa em todos os projetos mineiros e definimos linhas de orientação para aumentar as condições internas de exploração, em suma, a rentabilidade”, explicou

No entanto, Ganga Júnior admitiu que o passivo da empresa é “ainda elevado”, sublinhando, porém, que tem diminuído significativamente desde 2016, situando-se atualmente nos 524 milhões de dólares (455 milhões de euros), dívida “que será paga no médio e longo prazos”.

“Trabalhamos para vender mais e melhor, na comercialização, e produzir mais e melhor. Estamos a criar condições também para que a Endiama passe a ter produção própria, bem como a criar todo um conjunto de infraestruturas que vai permitir saltar dos oito/nove milhões de quilates por ano para os 14 milhões em 2022”, sublinhou.

Questionado sobre a intenção que manifestara durante a apresentação dos resultados – colocar a Endiama entre as duas/três maiores diamantíferas do mundo – Ganga Júnior lembrou que a vontade é “legítima”, uma vez que Angola tem condições naturais para atingir esse objetivo.

“Temos condições naturais de recursos, de reservas de diamantes, precisamos é de investir e trabalhar mais na investigação geológica e mineira, porque o potencial de Angola lhe permite ir um pouco mais longe, e, talvez situarmo-nos entre os dois primeiros [produtores mundiais] até 2022”, enfatizou.

Na apresentação dos dados da diamantífera estatal angolana, Ganga Júnior salientou que a produção industrial em 2018 se situou nos 9.221.343 quilates (a meta eram 8.533.343 quilates), mais 8% do que o previsto e mais 3% do que em relação a 2017, quando foram recuperados 8.973.679 quilates.

“A produção global, incluindo o semi-industrial, atingiu em 2018, os 9.433.887,60 quilates, ligeiramente inferior aos 9.438.801,10 quilates verificados em 2017”, explicou.

Da produção industrial de 2018, acrescentou, foram comercializados 8.263.748,63 quilates ao preço médio de 148,11 dólares/quilate – em 2017 foi de 117,03 dólares/quilate -, tendo as vendas alcançado os 1.228.434.784,88 dólares (1.086 milhões de euros).

Segundo Ganga Júnior, a melhoria do preço médio, em 27%, resultou numa receita adicional de 261 milhões de dólares (227 milhões de euros) para uma empresa que conta com 11.035 trabalhadores.

As receitas brutas ascenderam a 1.255,4 milhões de dólares (1.092 milhões se euros) e o total de impostos pagos ascendeu a 252,16 milhões de dólares (219 milhões de euros).

Segundo Ganja Júnior, efetuados os diagnósticos da situação das empresas mineiras com dificuldades técnicas e financeiras, tendo como pano de fundo a melhoria da performance operacional e financeira, as perspetivas para 2019 passam por atingir os níveis de produção projetados, prevendo-se 9.500 milhões de quilates para este ano (com receitas brutas de 1.130 milhões de dólares), 9.850 milhões de quilates em 2020 (1.184 milhões de dólares), 11.300 milhões de quilates em 2021 (1.333 milhões de dólares) e 13.800 milhões em 2022 (1.584 milhões de dólares).

Para já, destacou, estão em curso ações de restruturação nas empresas mineiras de Luó, Camutué, Calonda e Luarica, maioritariamente centradas nas províncias das Lundas (Norte e Sul) e Moxico, podendo estender-se, em 2019, para as do Bié e de Malanje, “onde existem boas perspetivas, mas cujo estudo geológico-mineiro está ainda por concluir.

Nesse sentido, e no quadro da reestruturação, a Endiama, sucessora da Diamang (empresa de capitais mistos que funcionou entre 1917 e 1986), já redefiniu, por exemplo, o novo Mapa de Concessões Diamantíferas, em que baixou de 200 para 35 o total de concessões.

Atualmente, a Endiama Mining (empresa “mãe”) detém 17 concessões de prospeção, maioritariamente de aluvião, em que a prospeção e produção é mais complexa, e apenas três em ‘kimberlitos’.

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