O director de Operações Mineiras e Gestão de Participações da ENDIAMA E.P, Miguel Vemba, apelou aos membros da Associação dos Países Produtores de Diamantes de África, para a reconstrução de uma voz comum na defesa do diamante natural.
Miguel Vemba falava esta terça-feira, em Luanda, durante uma sessão, realizada no âmbito das comemorações do 20.° aniversário da ADPA, que se assinala hoje, 4 de Novembro.
Afirmou que, perante a queda dos preços, apresentam-se aos produtores duas respostas, sendo que a primeira é reduzir a produção, e a segunda tem a ver com a exploração selectiva das pedras de maior valor, que melhora os resultados no curto prazo à custa da vida útil da mina.
Considerou que as duas respostas são insuficientes, pois, para alguns operadores, reduzir a oferta constitui uma resposta racional, entretanto, para um mercado enfraquecido, por um lado, e por outro, um jazigo explorado apenas nas suas zonas mais ricas é uma mina que encerrará mais cedo.
Sobre o sintético, afirmou que não se tornou relevante por mérito próprio. Foi a própria indústria que lhe emprestou a sua classificação, os quatro C, a sua unidade de medida, o quilate, e os seus canais de comercialização.
Em 2018, o regulador do maior mercado consumidor retirou a palavra “natural” da definição de diamante, sem reacção dos países produtores, e segundo os dados de mercado citados na intervenção, o preço do sintético caiu mais de 80 % em nove anos e corresponde hoje a cerca de 13 % do preço do diamante natural. “A fonte da sua relevância é também a sua fragilidade”, sublinhou.
O desafio, sustentou, não é o sintético: é o silêncio dos produtores e a fragmentação da sua voz. Durante uma década, a mensagem sobre o que é um diamante ficou sem financiamento e sem voz, e foi nesse silêncio que o sintético entrou, carregando o vocabulário do diamante natural. “O sintético não nos dividiu; encontrou-nos divididos”.
Recordando que, durante quase um século, a categoria beneficiou de uma disciplina ao longo de toda a cadeia de valor e de uma mensagem única ao consumidor, Miguel Vemba afirmou que os instrumentos dessa época pertencem ao passado, mas os seus princípios não.
Disse que o futuro exige três compromissos dos produtores, entre os quais, um padrão comum de princípios partilhados, aplicados por todos; uma narrativa comum para o diamante natural, dita por todos; e a responsabilidade colectiva dos produtores, em que cada um responde também pelo conjunto. Esse esforço, sublinhou, deve assentar numa visão, numa voz e em valores partilhados, dentro dos limites do direito da concorrência.
Angola, acrescentou, fez a sua escolha em torno de três princípios: natural, ético e sustentável. O país dispõe de 701,6 milhões de quilates em recursos e reservas, suficientes para mais de quarenta anos de produção, e conta com 64 projectos de prospecção em curso. A produção quase duplicou entre 2020 e 2025, de 7,9 para 15,2 milhões de quilates.
No plano da governação, destacou o percurso iniciado com a participação fundadora no Processo de Kimberley (2003), seguida do Código Mineiro (2011), da política de comercialização (2018), da criação do regulador e do cadastro mineiro (2020), da adesão à ITIE (2022) e do Acordo de Luanda (2025).
Revelou que subsector diamantífero emprega hoje 30.123 pessoas, 2,6 vezes mais do que há oito anos, e contribuiu em 2025 com USD 493,6 milhões em receitas fiscais e USD 86,3 milhões em investimento social.









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